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Hérnia Paraestomal: entenda como acontece nos ostomizados

Você já ouviu falar na hérnia Paraestomal mas não sabe o que é isso? Não se preocupe. Vamos explicar a seguir!

Antes de apresentar o detalhe da hérnia paraestomal, vamos falar um pouco sobre o que é uma hérnia, e por que ela acontece…

Às vezes, alguns fatores pode causar um enfraquecimento nas camadas musculares que formam a parede abdominal. Com isso, na região enfraquecida forma-se um orifício, por onde podem escapar órgãos internos do abdome, como o intestino, por exemplo.

É claro, esse escape acontece para fora das camadas musculares, mas tudo se dá por baixo da pele. Para quem olha uma hérnia pelo lado de fora, ela se parece com uma protuberância, um abaulamento, na região (veja a figura abaixo).

As hérnias podem acontecer naturalmente, isto é, porque a pessoa já nasceu com algum ponto enfraquecido na parede abdominal. Por exemplo, todo mundo já viu ou ouviu falar de crianças ou adultos com hérnias na virilha (região inguinal) ou no umbigo (hérnia umbilical).

Mas também pode acontecer de esse enfraquecimento ser provocado por uma cicatriz na barriga. Sim, o local da incisão é propício ao surgimento de hérnias e por isso é necessário prestar atenção!

No caso da pessoa que tem uma ostomia, o estoma por si só já representa o ponto fraco, o orifício por onde pode acontecer algum escape. Quando isso acontece, as alças do intestino escapam e se acumulam ao lado do estoma, formando uma protuberância que tem aparência muito característica. Por isso, esse escape do intestino é chamado de hérnia paraestomal.

O que causa a hérnia paraestomal?

hérnia paraestomal é uma complicação muito comum. Muitas pessoas que têm estomas podem acabar desenvolvendo essa complicação tardia em algum momento do pós-operatório. Além disso, há até quem diga que é possivelmente inevitável não acontecer.

Muitos pacientes com hérnias paraestomais são assintomáticos – ou seja, não têm sintomas. Então, quando há queixa clínica, o mais comum é o abaulamento na região do estoma associado ou não a dor que pode ser localizada, difusa por todo o abdome, ou até mesmo na região dorsal. Além disso, abdome distendido e náuseas também podem acontecer.

Mais raramente, uma alça do intestino ou até mesmo um fragmento da gordura que existe em torno das alças intestinais (chamada de epíploon) fica preso na hérnia. Esse processo é denominado encarceramento e esta é a complicação que deve ser evitada.

Quais fatores aumentam os riscos da hérnia paraestomal?

Existem outros fatores associados ao surgimento da hérnia. São as doenças e hábitos da pessoa, que se somam à presença da ostomia aumentando a chance de acontecer uma hérnia. Confira quais são:

  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Tosse crônica;
  • Sedentarismo;
  • Diabetes;
  • DPOC (Doença Pulmonar Crônica Obstrutiva);
  • Ascite (“Barriga d’agua”);
  • Uso contínuo de corticóides.

Já tenho uma hérnia. O que fazer?

Atualmente, muitos pacientes ostomizados são portadores de hérnia paraestomal. Em muitos casos, elas são bem toleradas, não impactam negativamente no dia-a-dia e são tratadas com medidas simples como por exemplo:

  • Uso de cintas abdominais para contenção;
  • Cintos que se prendem a bolsa de colostomia para melhor firmeza.

Nos casos de ostomias temporárias, o problema é limitado, pois o reparo da hérnia ocorre quando se faz a reconstrução do trânsito intestinal.

Quando desconfiar que tem uma hérnia paraestomal?

Alguns dos sinais e sintomas mais comuns, que devem fazer você desconfiar da presença de uma hérnia são:

  • Dor: esse é o sintoma mais comum e acontece devido à distensão da parede abdominal;
  • Sangramento: a saída (prolapso) do estoma expõe mais a mucosa da alça intestinal exteriorizada, tornando-a propensa a traumatismos e, daí o sangramento;
  • Obstrução intestinal: a hérnia pode conter intestino delgado ou cólon, o que causaria a obstrução intestinal e até estrangulamento da hérnia;
  • Aparência: o prolapso e o volume da hérnia tornam evidente a condição do paciente (como um ostomizado) aumentando o estresse psicológico e diminuindo ainda mais a sua auto-estima;
  • Irregularidades abdominais: massas volumosas na região abdominal que dificultam a fixação correta da bolsa coletora, causando vazamentos;
  • Vazamentos: podem ocorrer com maior frequência;
  • Irritações e dermatites da pele periestoma: acontece devido aos vazamentos, que se tornam mais frequentes, mas também à força do esgarçamento que a pele está submetida.

Como é feito o diagnóstico?

Visualmente, a hérnia pode apresentar-se como uma protuberância, um volume deslocado para frente, com o estoma no topo desse volume.

Desta forma, estomas feitos em uma parede abdominal debilitada por conta de várias incisões cirúrgicas, apresentam grandes chances de desenvolver a hérnia paraestomal. Pois a musculatura não será capaz de contrair ao redor do estoma em situações que é necessário forçar a região abdominal, como na tosse, ou em atividades físicas, por exemplo.

E então, é solicitado pelo médico uma ultrassonografia ou a tomografia computadorizada para ter certeza do diagnóstico e planejamento da intervenção cirúrgica, se for o caso.

Existe tratamento da hérnia paraestomal?

A maioria dos casos de hérnias são tolerados confortavelmente com o uso de cintas para contenção abdominal. Além disso, aproximadamente 30% das pessoas com hérnias paraestomais necessitarão de algum tipo de correção cirúrgica.

Confira a seguir as diversas variações cirúrgicas para a hérnia parastomal:

  • Reversão da ostomia – É apenas uma opção para um pequeno grupo de pessoas que ainda tem intestinos saudáveis o suficiente para essa decisão;
  • Reparando a hérnia – melhor sucedida quando a hérnia é pequena, trata-se da costura dos músculos e outros tecidos para estreitar ou fechar a hérnia;
  • Realocar o estoma – Em alguns casos, um estoma com hérnia parastomal pode ser fechado e um novo estoma pode ser aberto em outra parte do abdômen. Porém, há o risco de uma nova hérnia parastomal pode se formar ao redor do novo estoma. A variação é preferida quando há recidiva após reparo direto com emprego de prótese ou quando a hérnia paraestomal está associada à complicações infecciosas locais que impedem o uso de prótese tais como fístulas;
  • Malha – As inserções de malha são atualmente o tipo mais comum de reparo cirúrgico de hérnia parastomal. Malhas de origem sintética ou biológica podem ser usadas, e essa decisão caberá ao médico, somente. Eventualmente, a malha se incorpora ao tecido ao seu redor, que formará uma área forte no abdômen e ajudará a impedir a formação de uma nova hérnia.

Mas não se preocupe, de um modo geral, se você não apresentar sintomas que impacte na sua rotina, não deve ser operado.

Quando devo me procurar ajuda médica imediatamente?

São raros os casos, mas o intestino pode ficar preso ou torcido dentro da hérnia. Isso bloqueará o intestino e poderá levar a um quadro muito grave, com falta de irrigação sanguínea no intestino. Por isso, chamamos esse quadro de estrangulamento, e é uma condição muito dolorosa.

O estrangulamento requer cirurgia de emergência para desfazer a torção do intestino e restaurar o suprimento sanguíneo, para que a parte obstruída do intestino não seja danificada de forma permanente, além da reparação da hérnia.

É possível viver bem com a hérnia paraestomal?

As hérnias paraestomais são uma complicação comum nas pessoas com ostomias. Entretanto, em muitos casos não apresentam sintomas ou causam apenas um leve desconforto, que pode ser gerenciado de forma eficaz com mudanças no estilo de vida, como o uso das cintas de compressão, por exemplo.

Além disso, mesmo nos casos em que o tratamento cirúrgico é necessário, geralmente a recuperação não é longa e logo, logo, você já terá retornado para a sua vida normal.

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